Não vou me desculpar pela vida que eu não criei. Vieram os lobos e eu estava só.
Há uma angustia premente que assola o passado, magoa o presente, afugenta o futuro. Pois tudo o que vejo devia ser mais leve, ou mais livre, ou mais feliz. Ai daquele que abre mão da própria vida para se esconder atrás de uma imagem bela e sensata. É que toda dor tem seu preço e algumas são caras demais.
Sorrisos nervosos, nem sempre sinceros, mas que demonstram que sim, eu sou confiável. E você pode mostrar a melhor parte de si, ou a mais frágil: dá no mesmo. Eu não vou julgar nada, vou permitir tudo, vou estimular a jogo de euforia e desespero das verdades mundanas.
Porque eu vou mentir pra mim ao mesmo tempo em que só falarei a verdade aos outros.
Porque ser fiel e leal a algo superior nem sempre é assim tão fácil.
Porque eu aceitarei resiliente, prometo, a busca incansável por essa paz que não existe.
E um dia eu agradecerei a quem me amar por tudo isso. Ou apesar de tudo isso. Dá no mesmo.
