domingo, 30 de janeiro de 2011

Eu vos declaro...

 Enquanto o Brasil é palco de debates inflamados sobre a regulamentação do já famoso "casamento gay", "união estável gay", "união civil", "contrato de parceria"... homens e mulheres continuam casando.

Alguns homens se casam com mulheres.
Alguns homens se casam com homens.
Algumas mulheres se casam com mulheres.

A realidade é muito mais pragmática do que o processo legislativo ou as tramitações judiciais. De fato, o Congresso Nacional, O Supremo Tribunal Federal, o Superior Trinunal de Justiça não dispõem do poder ou da autoridade necessária para dizer quem REALMENTE se casa ou não.

As pessoas estão atrás de direitos sim, mas antes disso, elas dão um jeito de encontrar a própria felicidade, com ou sem lei. Para alguns, o ritual faz parte desse projeto de vida, e estar diante de um altar, qualquer altar, é a realização de um sonho. Isso é tudo o que importa: o sonho e seus meios de torná-lo tão real.

Se alguns desses casais não podem receber as bênçãos de suas respectivas igrejas ou ainda as do próprio Código Civil, isso é outra história. Eles recebem sempre as bênçãos um do outro: o amor de suas vidas não apenas caminha lado a lado, mas consagra o que há de melhor no bem amado (ou bem amada).

E quando, aos pés daquele altar, o casamento se findar: casamento hetero, casamento gay, legalmente regulamentado ou não, religiosamente admitido ou não, mas sempre acolhido pelo Amor Superior... no final disso tudo, o/a celebrante só precisa dizer:

"Eu vos declaro... felizes."

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A Vida é Tranquila por Lá

Vamos todos!

Ana (Crônicas I)

Ela olhou fixamente para Marcelo e, depois de um estranho silêncio, disse:

- Não sei se acredito nisso.

Ela nunca desconfiava do marido, apenas havia breves momentos em que uma voz sombria lhe dizia que o homem não estava sendo de todo sincero. Era possível até que Marcelo fizesse aquilo para proteger o casamento.

Sacrifícios Conjugais.

- E por que eu mentiria logo agora?

Ele é que não entendia o processo que Ana atravessou em menos de cinco segundos: nada daquilo representava uma traição, uma falta de lealdade. Pelo contrário, ponderava-se o nível de crueldade de uma relação sincera demais, optando-se, em algum momento, por qualquer alternativa que a deixasse mais feliz.

Talvez fosse isso que Ana não tinha aprendido a aceitar. Ser feliz já era tão difícil! Como se sustentar sobre essas pequenas mentiras inocentes? Por que não deixar tudo logo claro, cartas na mesa, pratos limpos?

Ou será que...

- Porque você me ama.

Ela não perguntou mais nada. Apenas se virou de lado e o beijou. Nunca soube se ele falara ou não a verdade. Apenas decidiu acreditar em Marcelo, e isso foi tudo o que bastou.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Pegar ou Largar

Deixa um pouco a responsabilidade do lado de fora. O papo clandestino é muito mais gostoso.

Amanhã eu dou meu jeito de acordar.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Desespero

Atualmente, os papos das minhas mesas de bar sempre envolvem corações desesperados.

Alguns com medo de se entregar à pessoa amada (homens ou mulheres, héteros ou gays). Outros com medo de se entregar ao próprio espelho. Mas todos, todos esses corações sentem exatamente a mesma coisa: medo de sofrer.

O agir impulsivo é quase uma não-opção. Quando tudo é metodicamente calculado, a natureza das relações pesam como uma bigorna. E é nesse momento que cabe a cada um de nós se reconstruir, se adaptar, se aceitar cada vez mais. E aí então perceber que o outro é tão somente uma extensão do sentimento mais forte que nos invade. E isso pode ser uma bênção... ou uma maldição.

O medo é universal.
O amor também.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Eu imploro.

A verdade é que há muito tempo eu não escrevo como nos áureos tempos de Gautama. Não que o pseudônimo fizesse a diferença. Eu não me restrinjo, não me atormento, não perco meu tempo com medo de qualquer parte de mim.

É que às vezes simplesmente falta inspiração. Ou seria tudo apenas um exercício estritamente físico? A inspiração é um engodo que os poetas usam para tornar mais interessante o pífio resultado de uma equação neurológica chata, entediante. Será?

E eu? Que faço eu dessa vontade louca de escrever aquilo que não se revela? Agonia lancinante! Querer e não poder é um grito de dor preso em uma garganta inflamada de frustração e pus. E como toda a ferida da alma, requer mãos postas, joelhos dobrados e prece:

"Senhor/Senhora dessa rosa e desse lírio 
Vele(m) meu pensar, meu querer, o meu delírio
Eu que vago só pelo mundo torturado:
É puro capricho de um menino tão mimado


Venha a graça de uma singela lembrança
Venha, venha uma doce bem-querança
A lágrima escorrida de um rosto maltratado
Um espasmo filosófico de um desejo embriagado

E façam da vida o que quer que se queira
Do começo, meio e de todo o meu fim.
Escorre o sangue/seiva, a poesia faceira,
Mas deixa o resto... o resto do pouco de mim."