Ela olhou fixamente para Marcelo e, depois de um estranho silêncio, disse:
- Não sei se acredito nisso.
Ela nunca desconfiava do marido, apenas havia breves momentos em que uma voz sombria lhe dizia que o homem não estava sendo de todo sincero. Era possível até que Marcelo fizesse aquilo para proteger o casamento.
Sacrifícios Conjugais.
- E por que eu mentiria logo agora?
Ele é que não entendia o processo que Ana atravessou em menos de cinco segundos: nada daquilo representava uma traição, uma falta de lealdade. Pelo contrário, ponderava-se o nível de crueldade de uma relação sincera demais, optando-se, em algum momento, por qualquer alternativa que a deixasse mais feliz.
Talvez fosse isso que Ana não tinha aprendido a aceitar. Ser feliz já era tão difícil! Como se sustentar sobre essas pequenas mentiras inocentes? Por que não deixar tudo logo claro, cartas na mesa, pratos limpos?
Ou será que...
- Porque você me ama.
Ela não perguntou mais nada. Apenas se virou de lado e o beijou. Nunca soube se ele falara ou não a verdade. Apenas decidiu acreditar em Marcelo, e isso foi tudo o que bastou.

Um comentário:
Pena que nem sempre dá pra se sustentar "pequenas mentiras".
Elas corroem que nem a maresia corrói o ferro.
Um dia faz tudo cair por terra.
Eu sempre prefiro que caia na primeira do que esperar que o edifício da confiança esteja todo erguido!
Questão de escolha!
***Adorei o texto!
=D
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