sábado, 5 de fevereiro de 2011

Verdades Acóolicas

Não, eu não estou bêbado! Apesar de todo bêbado começar qualquer discurso com essa frase, a verdade é que não estou bêbado.

Eu apenas refletia sobre o poder do vinho sobre o coração das pessoas. Que força é essa que torna o ser humano tão mais passional? Quantas represas são destruídas pela potência incontrolável dessa água (ardente)?

Toda a razão, os temores infantis, os "nãos", as prudências inúteis, tudo se dissolve nas vontades e desejos que o peito acelarado sempre quis gozar.  No final, não importa o que se fez de olhos fechados ou braços abertos. Não importa quem subiu na mesa ou quem cantou mais alto. Não importa quem gargalhou ou quem dormiu de boca aberta e até roncou.

Não importa quem se embriagou de whisky e quem se embriagou de prazer.

Importa sim o fato incontestável, a realidade inexorável de que nada foi capaz - por um minuto ou por uma vida inteira - de deter o vivo espírito. E aí começa o sutil processo de compreender que o álcool não tem nada, absolutamente nada a ver com esses desejos recônditos.

O mérito da felicidade então sai do copo vazio e é entregue a quem de direito. Porque a verdade última não é a alcóolica, é a da sóbria necessidade de se dizer "sim".

2 comentários:

Vladimir Koenig disse...

Conseguiste a façanha de transformar a máxima popular "quando a bebida entra a verdade sai" em um texto muito bonito! Rs.
Abraços,
Vlad.

Lizandra L. disse...

Adorei Adrian,
Muita verdade!
Mesmo você dizendo que não tinha bebida, muita verdade em seu texto.
A liberdade assumida com desculpas alcoólicas é aquela que deveríamos ter como postura nossa. Afinal o que nos detém a ser feliz além de nós mesmos (na maioria das vezes) insistindo em dizer não a essa voz persistente em sim?!